segunda-feira, 21 de setembro de 2009

MARINA SILVA E A NEOBURGUESIA VERMELHA

Segundo matéria veiculada no jornal Folha de Pernambuco (16/09/20009 - Política, pag. 4), um ocupante de cargo de Deputado Federal do Distrito Federal, pelo PT, em entrevista à Rádio Folha, 96,7 declarou que Marina é candidata de uma nota só, que só falará de meio ambiente e cometerá o mesmo erro de Cristovam Buarque. Ainda frisa que Marina não ameaça a candidatura da possível candidata de Lula.

É gritante a estupidez desse neoburguês vermelho, pois desrespeita a Senadora e o Eleitorado brasileiro quando tece aquele tipo de comentário. Marina Silva é “estrela descente” é uma das poucas figuras políticas que podemos confiar e respeitar. Sua saída do mundo socalista foi providencial, pois desvincula sua imagem do novo e imprestável modelo politiqueiro, o Socalismo, mantido pela neoburguesia vermelha.

Quem imaginaria um dia o presidente de mãos dadas com Fernando Collor, José Sarney e Renan Calheiros? Quem imaginaria o partido tido como ético e transparente - que no passado não deixava nem as forças do retrocesso peidarem sossegadas -, fosse palco de tantos escândalos nesse circo de horrores? Lembram de Dirceu, Palocci, Delúbio, Genoíno e Marta? Não dá pra gozar e relaxar, companheiros. Isso é Socalismo.

Ao declarar que Marina não é “ameaça”, a neoburguesia vermelha revela como percebe o eleitorado: um cavalo de viseira que não pensa, não muda e nem percebe nada. E aos que se insurgem o banimento. Enfim, é proibido pensar e discordar. E já que disseram que: “a mídia (que nos informa) é inimiga das instituições representativas”, não me espantará que mais tarde e por outros moldes, a Venezuela seja aqui.

Parece que a neoburguesia usa viseira (não sei se de cavalo), ao não perceber que a saída de Marina do meio socalista garante repensar o Brasil e é um marco para o exercício da opinião pessoal que permite uma postura ética e que vai além dos dois vícios da moeda. Por essa situação e pela possível candidatura de Marina à presidência, já tem gente dia e noite nos sites de busca pesquisando sobre o que é sustentabilidade.

Já dá até para imaginar alguns hilários depoimentos quando se questionarem sobre o meio e a sustentabilidade: ”Bem, nós corríamos atrás dos calangos para pô-los à sombra, quando íamos à barragem”; “Lá em nossa fazenda havia um periquito que comia queijo e cantava “Terra” de Caetano; “Mamãe sempre nos ensinou a respeitar os animais, por isso me tornei médico”; ”Meu sonho é amarrar tudo para me sustentar”.

E para complementar esse encanto, é claro que os figurinos e produtos de beleza seriam sustentavelmente ecofashions: sapato com pele de jacaré-açu desdentado do Amazonas; blusa de pele de onça maneta do Pantanal; bolsa de palha de soja transgênica; botox com cristais de pena caída de arara azul e também um excelente xampu de algas encalhadas na praia para tornar as jubas, impecáveis.

E assim 2010 se aproxima e grande é o alvoroço. Mas como diria Lulu “Nada do que foi será...” Eis a roda da vida que gira, gira e nos dá a possibilidade de dar um basta à mesmice ou de ter que votar no menos imprestável. Chega desse povo de uma nota só que se junta com alhos e bugalhos para se manter no poder, cheio de escândalos e que depois surgem como redentores vitimados por badboys caseiros.

Independentemente de qualquer coisa, o maior feito da antiga esquerda, e hoje, neoburguesia vermelha foi ter quebrado o mito, a ilusão dos amigos e inimigos do povo. Na realidade, todos queriam o poder. Os fatos reais são expostos pela mídia dita “inimiga” todo dia, durante esses quase oito anos de gestão ou quem sabe, de congestão. E como diria os Engenheiros: “Sem querer ele me deram as chaves que abrem...”

Chega de sermos reféns de uma eleição focada no inimigo único: ou você vota nele ou em mim. Chega de aceitar a imposição do complexo de lombriga, pois nossa natureza e função são outras. Chega dos coronelismos, omissões, conivências e conveniências, pois ninguém é obrigado a beber água do Tietê. Chega desse papo maldito e acomodado de que “pode ser uma porcaria, mas ele é do meu campo de atuação”.

Chega de ser ovelha e ficar sempre no frio após a tosquia, pois somos gestores das nossas próprias vidas. Chega de ter que engolir uma torta de chocolate todo dia para manter a padaria do coleguinha da esquina; aquela pessoa vil e má que no final nos dará uma serra para amputar nossos braços e pés, conseqüência do nosso comodismo e do acúmulo mental de açúcares e gorduras ao longo do tempo.

Todas essas situações insustentáveis podem ser transformadas e/ou descartadas. Basta um ato: votar. Através do voto agimos e expressamos o que pensamos e queremos para o nosso país. Mas, além disso devemos sempre nos informar, ter opinião própria para acompanhar as gestões(?) e congestões públicas, através dos espaços de poder como audiências, encontros, conselhos, conferências e agendas 21 locais.

Assim assumimos a responsabilidade pelo nosso Brasil, pois somos seus legítimos e naturais agentes sociais que se expressam a cada dia, a cada ato. E isso é totalmente diferente daquelas transformações agendadas para uma sexta-feira qualquer, à tarde e numa mesa de bar e daquelas que ocorrem em jatinhos, fazendas, hotéis de luxo e que são regadas a muito uísque, filé mignon e outras coisinhas mais.

Então, cabe a cada um decidir sustentar o insustentável ou sustentar nossos sonhos e transformá-los em realidade por um caminho ético e transparente, que nos convida a cada instante a vivermos um Brasil Sustentável e possível, se assim o quisermos; pois quem foca em dificuldade, não quer solução. Agir é opcional, pessoal, intransferível e irreversível. Não sou esquerda nem sou direita. Sou brasileiro.