Por Hiperconector X
Chegou 2010. Eis a copa de futebol na África do Sul. Comerciais penetram nossas mentes com imagens e palavras que nos fazem vibrar por nossa seleção, tendo a frente o Luxemburgo, na busca do tricampeonato mundial. Os horários de bancos e repetições públicas serão alterados para garantir à população “o seu direito” de torcer por seus heróis, de gritar, de unir-se, de analisar os detalhes de cada jogada; e também, de beber e comer e consumir muito mais.
Viveremos dias de êxtase, vendo os passes de Ganso, Bebeto, Romário e tendo Ronaldinho na barra defendendo-nos dos chutes inimigos. Serão dias de glória, em que a nação brasileira será uma só; e todos nós: civis, religiosos, juízes, políticos e corruptos seremos um só povo, um só time, o “Verde e amarelo” referendando nossa tradição de terra do futebol. Restauraremos nossa paixão, nosso desejo de que nossos meninos tragam a taça para bebermos nela a nossa vitória suprema.
Contudo, nesse mesmo ano teremos as eleições... para quê mesmo? Vocês se lembram? Tentem! Eu aguardo um pouco... Possivelmente, a maioria não sabe nem a data e nem os cargos eletivos que serão disputados. Entretanto, sabem as datas dos jogos da copa e já se programam com a família e os amigos. Sabem também que as informações que apresentei: Romário, Bebeto, Luxemburgo e Tricampeonato são referências passadas. Viva! Vocês pensam e tem memória.
Isso quebra um dos velhos elementos do PACO - Pacote de Alienação Coletiva, de que brasileiro não pensa e nem tem memória. O PACO é uma sigla que eu criei (já que nesse país se criam tantas), e é como um PAC no sentido der ser um pacote de obras, mas, nesse caso, imateriais, recheados de alienações, de frases comportamentais que coletivamente nos conduzem à omissão, à conivência e à conveniência e a ficarmos deitados em berço esplêndido.
Certamente vocês conhecem alguns exemplos do PACO: Brasileiro não tem memória. São 500 anos de dominação. É assim mesmo. Político é tudo igual. Camarada. Companheiro. È final dos tempos. Lutamos por um país mais justo, fraterno e igualitário. Forças do retrocesso. Eles são os bandidos e nós os mocinhos. A luta continua. Pobre nasceu apenas pra levar fumo. De uma infância humilde, fulano blá blá blá. Mulher nasceu para casa, cama e cozinha e Amélia que era mulher...
Mas voltando a uma das paixões nacionais. Viu! Você pensa; acompanha todos os detalhes e momentos importantes das partidas. Sabe quando o juiz acertou ou não viu o “lance”; quando o jogador foi sacana e desleal; quando o cara é um Craque ou um Crack. Você tem opinião própria, tem capacidade para discutir com seus amigos sendo do mesmo time ou não. E não precisa de comentarista A, B ou Z para lhe impor uma análise ou verdade. Você pensa e raciocina. Você sabe.
Você lembra-se das façanhas de Pelé? De quando os baianos vaiaram a seleção e os pernambucanos a apoiaram? E o que Romário fez em Recife, no retorno vitorioso? E Zagallo, Felipão, Luxemburgo e a taça roubada? Viu, você tem memória. E agora com a internet, pode pesquisar a vontade. Colher mais detalhes, questionar e identificar mentiras e distorções. Você acompanha a história e os fatos do futebol nacional. Você acompanha os fatos.
E antes de continuar esse texto, gostaria que você calculasse quanto tempo dedicará às partidas da primeira fase. Isso, considerando os “70” minutos normais dos jogos, com possibilidades de acréscimos, mais as horas anteriores e posteriores a eles. Calculou? Então, acrescente as horas das outras fases, caso nosso Brasil (e esperamos que isso venha acontecer) chegue à grande final e nos dê o tri “bicampeonato”.
O engraçado é que não sou chegando a futebol, mas em copa do mundo, sou tão torcedor quanto você. Motivo? É meu, aliás, é o nosso Brasil representando a nossa criatividade focada na conquista de mais uma taça. É nosso orgulho enquanto torcedores. Entretanto, numa final de vôlei Brasil X Cuba (sou fã das cubanas) me sinto feliz por qualquer resultado. Mas, se for Argentina... não tem acordo, e no que depender de mim Dom Dieguito não vai posar nu na Globo Rural.
Todavia, essa nação verde-amarela e tida como uma terra do pão e circo; que é que nem lombriga... que se sair da merda, morre. Que só liga para carnaval e futebol. Eu cresci escutando e aceitando isso... Isso até o dia em que despertei e percebi que eu também era tido como uma lombriga. E que lombriga... 1,80m e 125kg, digna de habitar as entranhas de Godzilla ou um daqueles grandes herbívoros que habitam na Pré-História, deixando suas vias entupidas.
Entupidas. É assim que nossas mentes estão com relação à política nacional e as questões nacionais. E por vermos impunidade e corrupção tão explicitas e constantes, afastamo-nos de um momento crucial para as nossas vidas e aceitamos o PACO, quando diz: É assim mesmo. Tudo é igual. Daqui a pouco tá solto. Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Em terra de cego, quem tem olho é rei. E ainda tem o absurdo de dizer: se eu estivesse lá, faria o mesmo.
Mas na realidade, isso tudo acontece por obra nossa. Nosso voto os colocou lá. E foi naquele momento em que voltamos ao cativeiro ao trocarmos nossas fomes de corpo e de alma e as nossas dívidas por um voto, que demos carta branca para eles. E se pintam e bordam, é por nossa permissão. Não são as leis que os mantem no poder. É nosso voto. O que seria de Hitler, Mao Tsé Tung e Stálin - ditadores assassinos de primeira linha – se não tivessem o apoio das massas?
Nós não precisamos dos deputados e senadores alterando o texto do projeto Ficha Limpa ou parecer de Supremo Tribunal sobre a aplicação da lei, para não votar nos fichas sujas. Temos a listagem, já sabemos quem não merece o nosso voto. É tão fácil entender esse passe no jogo. Mas é mais fácil ainda ficarmos em berço esplêndido, deitados. Será mesmo? Garanto que se olharmos para os lados, despertaremos e tomaremos uma atitude: sair do reserva para sermos titulares.
Então, nas eleições de 2010 seja um torcedor do Brasil. Analise os passes, as jogadas, as faltas, os juízes, os bandeirinhas, as torcidas, as jogadoras e jogadores. Analise as propostas e o passado delas e deles. Questione e vá além das belas imagens e benefícios que lhe apresentam. Observe e pesquise sobre o passado de quem os apóia. Opine. Exercite a sua liberdade de votar em quem você considerar apto para assumir a nação brasileira por 4 anos.
Desconfie da polaridade, que é aquela imposição: ou você vota no meu candidato ou no dele. Desconfie do comentarista que diz: essa/esse “é a(o) minha/meu candidata(o)”. De repente não é a sua candidata ou o seu... Veja com quem esse povo anda. Lembre-se: dizes-me com quem andas... Depois da Direita, a Esquerda subiu ao poder, e hoje somos capazes de avaliar o jogo político dos dois lados, suas manobras e com quem estão agarrados com unhas e dentes para se manter.
Fique com um pé atrás com pessoas que respondem a um problema sério com um: relaxe e goze; ou diz não saber o porquê das coisas; ou ainda, que condenam algo e depois mudam de papo. Observe que quando focamos em algo, ele prospera. A corrupção é um exemplo. Mas ao olhamos para os lados, nós nos transformamos e mudamos de atitude e damos um basta. Começamos a ver mais e melhor. Assim é você no futebol. Assim é você, espero eu, na hora de votar.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
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