Por quantas vezes Lula foi candidato a presidente do nosso país? Nessas vezes, nossos sonhos e ações por dias melhores referendavam-no. Com sua vitória, a esperança abstrata rendia-se à possibilidade “real” de vivenciar um país “Mais justo, fraterno e igualitário”; era o início do basta à corrupção e à mesmice. Belos dias aqueles em que nossos sonhos mais lindos foram acalentados e nos estimulavams a optar pela “verdadeira mudança”.
De fato, a mudança aconteceu. Era nosso desejo mudar e havia um meio: o PT - o surfista da vez - que subiu na crista dessa onda civil. No dia da posse (alguém se lembra?), o mundo se voltava para um nordestino, pernambucano e esquerdista que assumia a condição de presidente da República Federativa do Brasil, quebrando o longo julgo das “forças direitistas”; dando ao povo a condição de sentir-se plenamente representado na imagem daquele homem.
Havia também outros ícones, que “representavam” a luta e a resistência, e que eram (e também se achavam) legitimados representantes do povo. Essa ascensão ocorreu em várias partes do Brasil e a Esquerda, sinônimo de seres pensantes (que conheciam profundamente nossos problemas e soluções para corrigir os desmandos das forças do atraso) chegou enfim, ao poder. Era hora da tão esperada prática socialista da justiça social e da democracia.
Poderíamos dormir descansados, confiantes, pois as forças da moral, da ética, da justiça e da igualdade estavam no centro de comando. Vejam que emoção: as pessoas que viviam em meus sonhos com suas palavras bonitas e certeiras, que me estimularam à mudança; que sempre estiveram ao lado e lutaram pelos pobres, oprimidos e causas justas; que eram meus referenciais e que contribuíram para moldar o meu senso critico, estavam agora na capital federal.
O que poderíamos nós (seres oprimidos, sem voz e sem vez, diante da possibilidade de reverter essa condição) desejar? Era nossa vez. Eram nossos ícones. Era nosso povo que nos escutava e nos respeitava. Era a hora da onda vermelha transformar anseios coletivos em realidades, pois os “ditos inimigos não sei de quem”, como: Arena, PDS, PFL, Collor, FHC já não ditavam e nem batiam mais o martelo. O jogo inverteu-se e “ o nosso time” ganharia sempre.
Entretanto, paralelamente às inegáveis melhorias sociais, nesses dois mandatos vermelhos, uma onda de escândalos estourou como crise de furunculose. E um silêncio apossou-se de todos e um bailado macabro começou para abafar o que fosse possível. E por fim, assistimos pasmos pela telinha, os acordos explícitos com os ditos “velhos inimigos”, para se manter no poder. Será que nada mudou e foi tudo uma ilusão? Desse jeito, nem com camisinha dá pra relaxar e gozar.
Mas sob as bênçãos do PT e de Lula, o Senador itinerante José Sarney foi salvo das acusações. Houve até um insulto á nossa inteligência quando se falou que tudo aquilo era para enfraquecer o governo. Explicitamente vimos um show de baixarias e xingações e pessoas sensatas como o gaúcho Pedro Simon serem demonizadas. Vimos ainda os “reais” companheiros lulistas: José Sarney. Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello (alguém se lembra?).
Assim como o fato de que a ascensão do PT representou os nossos legítimos anseios, é inegável que houve avanços sociais em nosso país durante esses 8 anos. Entretanto, nos últimos tempos o governo para se manter no poder juntou-se com qualquer coisa. Dessa forma, nossa confiança foi maculada e ele, ou perdeu-se pela ânsia do poder ou está revelando sua verdadeira face e seus reais companheiros e achando ainda, que somos pessoas tolas.
O desfecho não poderia ser diferente e as reações são legítimas. A população ficou abismada e indignada. Quadros importantes como Marina Silva e Flávio Arns saíram do partido, assim como Eloísa Helena, no passado. Formas honrosas e corajosas de dizer não às relações macabras que não nos representam. Já o Sr. Mercadante, sem comentários. Mas, e agora José? (já dizia uma música antiga). Aliás, e agora (con)gestão pública? O preço é alto, pois custa a perda do status do poder, que só existe enquanto acreditamos nele. Você ainda acredita?
O governo parece que caiu num tipo de complexo, tipo cavalo de viseira, que acomete pessoas que juram que seus barcos e caminhos são os únicos e certos e que sem eles nada funcionaria. Entretanto, solo sem sustentabilidade vira sertão na próxima estação. Cabe então, buscar outros caminhos - como um grande rio cuja intenção é chegar ao grande mar – e semear os nossos sonhos novamente. E é para isso que estamos aqui: para sonhar, semear, colher nossos sonhos e torná-los realidade. Isso depende de cada um, é opcional e intransferível.
Nesse momento pensar (sem paixonites) para agir é crucial, visto que a velha ideia do inimigo único (em que "achavávamos" que sabíamos quem era do bem e do mal), acabou. A Esquerda brasileira conseguiu quebrar a sua própria base de ascenção e sustentação: o mito dos amigos e inimigos do povo -, ou seja, as forças progressistas e as forças do retrocesso. As revelações palacianas e o silêncio dos "progressistas" nos despertaram e esse papo de que "é assim mesmo" e que "o povo não se lembram de nada e só vive pela barriga", está caindo por terra. Exemplos surgem a cada dia e mostram que a população não é mais aquela massa que dependia de "um líder, de um salvador" para guiá-las. Nosso povo é uma sociedade cidadã, mesmo com todas as limitações e problemas.
A transformação surge pela informação, pela busca dos fatos, pela opinião própria e por um entendimento mais amplo, que não fique preso à velha cortina de fumaça que restringe tudo a um só inimigo. É por isso que pensar é bom e faz bem à saúde. Pense e aja, também.
Escrito por Claríssimo
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
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